Apresentação de gatos: um passo antes de começar

Quem já juntou dois (ou mais) gatos de uma vez e deixou que eles se acertassem sozinhos? Eu também já fiz isso e não foi uma boa experiência. Nesse momento, respeitar o ritual de apresentação de gatos é sempre a melhor ideia!


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#1

O gato vê o mundo diferente da gente. Impor o nosso ritmo e nossas necessidades no processo de apresentação de gatos definitivamente não é uma boa ideia!

#2

Mesmo que a gente conheça muito bem nossos gatinhos, não sabemos ao certo como ele vai reagir ao ser apresentado a um novo gato. E também não podemos prever como esse novo gato irá se comportar, portanto devemos agir com cautela.

#3

Em minha jornada aprendi três coisas muito importantes que eu acho que todo tutor deveria saber antes de começar um processo de apresentação de gatos: o poder da calma, o poder da informação e o poder do compromisso!


Ah, mas gente faz assim desde que o mundo é mundo, eles vão se adaptar! A gente até pode saber que vai ter chiado, grito e rosnado. Já ouvimos falar que vai ter patada e vai ter unhada. Já nos disseram que isso tudo é normal e que vai durar, no máximo, duas semanas… E que comecem os jogos!

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Ah, mas meu gato é manso! Ah, mas minha gata é um amorzinho… Realmente, não duvido. Mas o gato, esse bichinho selvagem de estimação, vê o mundo de outra forma. Impor o nosso ritmo e nossas necessidades no processo de apresentação entre os gatos definitivamente não é uma boa ideia!

Claro que tem muito gato por aí que tem o temperamento amigável e tranquilo, ficando apenas curioso ou simplesmente indiferente com a presença de um novo gato… Ou esse mesmo gatinho, outrora tão sereno, de repente reage de um jeito que você nunca poderia imaginar (eu que o diga rs). Além disso, como será a personalidade desse gato que está chegando? Nem sempre dá pra saber ao certo… As possibilidades são infinitas! O melhor que podemos fazer, então, é tentar entender o que os gatinhos podem estar sentindo diante dessa situação indesejada e aplicar um passo a passo muito simples de se fazer, mas que cumpre um ritual de apresentação que é tão importante para os felinos.

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Já vimos aqui que, originalmente, o gato doméstico tem hábitos solitários, pois o tamanho da sua caça é suficiente apenas para um. Ao contrário dos leões, por exemplo, que se unem para caçar grandes animais e dividem a presa e criam relações hierárquicas e laços afetivos. O gato doméstico só se junta a grupos ou colônias se for um local seguro com fonte de alimentação suficiente para todos. E, mesmo nessas condições, pode haver conflitos entre os membros da colônia e um novo gato que se aproxime do território para se alimentar, pois, sem a certeza da alimentação suficiente para todos, os outros gatos são potenciais concorrentes. Portanto, como não há um “objetivo maior” em sua socialização, os laços entre os gatos se formam principalmente por consanguinidade, por conveniência ou pura e simples empatia.

Então, quando a gente chega com um gato novo em casa, seja adotado, resgatado ou mesmo comprado, considere que o seu gatinho de casa provavelmente estará preocupado com a presença de um invasor em seu território e poderá reagir de forma a garantir sua própria segurança e do domínio de seu espaço. Pode temer perder sua casa, sua fonte de alimentação, sua rotina, seu equilíbrio… Por sua vez, o gato que está sendo introduzido pode estar ansioso em relação ao território desconhecido, pessoas estranhas, novos cheiros, incertezas sobre alimentação, esconderijos… É um momento muito delicado para ambos. Eles precisam assimilar a presença do outro devagarinho, entender que isso não lhes vai trazer prejuízo.

apresentação de gatos-jagua-e-totiAlém desses sentimentos, outros fatores ainda podem influenciar os resultados de uma apresentação de gatos, como o espaço que se tem em casa (em área e distribuição), se é um ambiente calmo ou agitado, a rotina, a quantidade e a disponibilidade das pessoas da casa em participar do processo, etc.

Olha, não é pra ninguém aqui ficar assustado e não querer mais juntar gatos. Esse tal “processo de adaptação” depende de tantos fatores quanto seus resultados são variados. A definição de “sucesso” pode ir de gatinhos que se banham e dormem de conchinha aos que desistiram de perseguir e expulsar o outro. A durabilidade disso tudo também é bem diversa: dois dias, duas semanas, dois meses, dois anos… Quanto mais a gente se dedica, mais as coisas acontecem a nosso favor, isso é um fato. Afinal, já que esses animais serão colocados juntos única e exclusivamente por nossa vontade, é justo que prezemos por um processo de adaptação mais confortável ou menos estressante possível e sempre obedecendo ao ritmo deles. Nosso papel é balizar, acalmar, criar rotinas, segurança, atividades, alternativas e possibilidades para que eles se sintam confortáveis, alegres e seguros todo o tempo.

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Queria dizer para vocês que tudo tende a ser muito simples, bem rápido e sem traumas para ninguém (gatos e pessoas). E que, inclusive, é assim para a grande maioria! Algumas técnicas e exercícios também servem para os gatos que já foram apresentados sem um processo de introdução e não se deram bem, como se fosse um recomeço em sua relação. Então, se não deu pra começar certo, dá pra conseguir bons resultados depois!

Casos mais complicados como o meu representam uma porcentagem bem pequena dentro do universo dos gatos que passam a dividir seu ambiente com um novo gato. Por outro lado, esses casos mais difíceis estão ficando mais recorrentes, já que, felizmente, está crescendo o número de pessoas que se interessam em serem tutores de gatos. E, ao adotar um gato, sabemos o que acontece, não é mesmo? Já queremos logo outro hahaha <3

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Amigos, em minha jornada eu aprendi três coisas que preciso dividir com vocês antes da gente começar a explorar técnicas e exercícios, a testar objetos, investir em soluções. O primeiro e talvez mais importante conselho que recebi e quero passar para vocês: o poder da calma. Buscar a calma e transmiti-la ao ambiente. Tudo depende disso. Os casos de tensão entre os gatos podem ser bem feios e assustadores e, como já vimos, a maioria acontece por culpa nossa mesmo, que nos precipitamos em juntar os gatinhos sem a cerimônia que eles exigem! Então, temos que ter serenidade para poder enxergar com clareza as particularidades e necessidades de nosso caso. Além de mostrar aos gatinhos que eles também podem se acalmar, que vão ficar bem e seguros na presença um do outro, que nada vai lhes faltar e nada de mal vai lhes acontecer. Apenas em um ambiente calmo e controlado poderemos construir essa confiança.

As técnicas de apresentação de gatos e exercícios de convivência são simples, fáceis de fazer e muito efetivas. Hoje em dia tem vídeo, tem tutorial, tem passo a passo, é bem fácil encontrar essas informações na internet. Inicialmente, eu apenas comentaria que o que muda são as “dosagens”, combinações, abordagens e duração das etapas, que variam de caso pra caso. Daí vem a segunda coisa mais importante que aprendi: o poder da informação. Quanto mais você aprende sobre o “bicho gato”, quanto mais você se informa sobre seus hábitos, a razão de ser de seu comportamento e atitudes e quais são suas necessidades básicas, fica mais fácil entender o processo, manejar as situações, antecipar as ações, fica mais tranquilo de se envolver, é mais prazeroso de conquistar. Sejam em dois dias, sejam em dois anos…

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O que nos leva à terceira (ou quem sabe a primeira?) coisa que eu acho mais importante quando você resolve que é hora de levar mais um gato para casa: o poder do compromisso. Vamos ser sinceros… A gente tá aqui posando de tutor responsável, ou a gente vai embarcar nessa de verdade? De que adianta ler um texto aqui e ali, ver um vídeo, ouvir o conselho da protetora de animais, da amiga gateira mais experiente, se na nossa vez vamos ficar com preguiça e vamos decidir “arriscar” mesmo? Juntar eles desde o primeiro momento e torcer pra que as brigas sejam em um nível que nós possamos suportar…

Eu aprendi assim ao juntar Jaguá e Irá. Minha decisão custou dois meses de mal estar de minha Princesa Irá, pelos quais ela definitivamente não precisaria passar. Adotei medidas simples e rápidas e tudo se resolveu. E depois, quando trouxe Totí para casa, se eu não tivesse me comprometido a fazer o passo a passo de introdução todo certinho, desde o primeiro momento… Nem consigo nem mensurar o quão mais difícil e traumático teria sido. No mínimo, eu teria decidido “doar” uma das duas e voltar à minha “paz”. Mas doar qual? E para quem? Simplesmente anunciar minha gata para “adoção responsável”? Exigir que uma pessoa conhecida (ou não) tenha a “responsabilidade” sobre uma gata que eu mesma não fui capaz de ter? Não sei, achei contraditório. Preferi entender que o meu papel era me comprometer com a questão, ser perseverante, buscar soluções, informações. Investi em acompanhamento veterinário especializado para os três gatos, abri mão de espaços e mobilidade dentro de casa, estabeleci uma rotina rígida para mim e para os gatos, atendi as necessidades particulares de cada um…

Resumidamente, posso dizer que minha jornada começou com muito medo, dúvidas e culpa, depois com aceitação, entendimento e organização, depois as pequenas conquistas e, finalmente, uma harmonia possível. Ainda não considero meu problema resolvido, ainda tenho dúvidas sobre quais caminhos seguir, o que ajuda e o que atrapalha… Mas vivemos em paz, felizes e saudáveis e eu sei que, com carinho e dedicação, a tendência é melhorar cada dia mais. Tudo tem sido, na verdade, um exercício de amor, de doação, de beijos infinitos e cheiros atrás das orelhas, mas também de autoconhecimento, autocontrole e mudanças. É um problema muito, mas muito gostoso de resolver!

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Nós fazemos parte de uma era de mudanças muito intensas no mundo, na humanidade. Os animais domésticos estão cada vez mais presentes em nossas vidas. O gato é um bicho maravilhoso, delicioso, apaixonante, interessante e, por ser relativamente “prático”, é perfeito para preencher nossas necessidades diárias de beleza, risadas, fofuras e amor incondicional, dentro de um dia a dia tão corrido. Mas, por mais simples que seja, temos que ser responsáveis por eles, pois dependem totalmente da nossa dedicação para viver. Tutoria responsável de gatos é um conceito relativamente novo e nós fazemos parte das primeiras “turmas” desse importante e maravilhoso movimento. Adotar, resgatar, comprar com consciência, castrar, levar ao veterinário, telar o apartamento e impedir o acesso à rua são questões que ainda dividem opinião de muitos tutores. No entanto, são medidas comprovadamente efetivas para que a nossa relação com o animal preze pela sua segurança e seu bem estar físico e psicológico. O bem estar do animal de estimação é o nosso bem estar e ser um tutor responsável para os nossos próprios bichinhos de estimação é uma das mais importantes formas de contribuir com a causa animal!

<3

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6 thoughts on “Apresentação de gatos: um passo antes de começar”

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  5. Rociane Trajano da Fonsêca

    E quando uma mamãe super carinhosa, cuidadosa com seus filhotes, muda de comportamento após o desmame e passa a hostilizar suas crias. Isso é normal? O que se pode fazer?

    Reply
    1. gatinhosproblema

      Olá, Rociane!
      Sim, é normal que a mamãe gata queira afastar seus bebês, para que eles aprendam a viver sozinhos, a caçar para se alimentar e serem independentes. Algumas mamães são mais carinhosas no processo, outras são mais agressivas.
      Aproveite esse momento para fazer a castração dessa gatinha e deixá-la quietinha num recinto só dela durante o pós operatório (cerca de 10 dias). Nesse período, os filhotes vão aprender a se virar. Promova um contato controlado entre eles, utilizando esse passo a passo:

      http://gatinhosproblema.com.br/2017/02/14/introducao-reintroducao-e-adaptacao-de-gatos-passo-a-passo/

      qualquer coisa, mande mensagem para contato@gatinhosproblema.com.br

      <3

      Reply

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