Irá x Totí: estratégias para uma adaptação longa e difícil (Parte I)

Como já contei aqui para vocês, a adoção de Totí foi planejada. Como não queria repetir os mesmos erros que cometi na introdução de Jaguá e Irá, me informei sobre adaptação de gatos, preparei minha casa e comecei o processo corretamente. Mesmo assim, algo não estava saindo como o descrito nos tutoriais. Começava aí a minha saga em busca de soluções!


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#1

Mesmo estando isoladas, o clima de tensão em casa não parava de crescer. Não conseguia mais aplicar os exercícios de convivência entre Irá e Totí e não sabia mais o que fazer!

#2

Investi na verticalização dos espaços e busquei diferentes soluções para a segurança de Totí, já que Irá sempre estava pronta para atacar.

#3

Mesmo bem intencionada, meu primeiro erro foi não respeitar o ritmo das gatinhas. Estava adiantando demais os passos dos exercícios! Precisei recuar e recomeçar tudo de novo, observando melhor as suas necessidades e reações.


Desde o início fiz tudo certinho, com o isolamento inicial e a apresentação gradual. Arrumei o gabinete para ser o recinto de Totí e comecei os exercícios de convivência que havia aprendido em minhas leituras, como as trocas de odores, a comunicação por feromônios e a alimentação em conjunto. O que eu sabia até ali seria suficiente para dar certo na grande maioria dos casos. E assim foi com Jaguá e Totí, que seguiram tudo direitinho, sem nenhum passo fora do protocolo.

Adaptação Difícil - Jaguá e Totí
Jaguá e Totí rapidamente se tornaram amigos

No entanto, como as reações de Irá estavam ficando cada vez mais intensas e fora de controle, precisei tomar outras providências. Comecei a por a prova tudo que eu sabia e o que eu achava que sabia sobre gatos. Em primeiro lugar busquei o que já havia dado certo para o caso de Jaguá e Irá, que foi o enriquecimento ambiental.

Iniciei uma série de intervenções pela casa, a fim de tornar o ambiente não só mais atrativo e cheio de atividades para os gatos, como também para melhorar a segurança de todos. Afinal de contas, o tempo estava passando e a relação entre Irá e Totí não dava indícios de que ia melhorar tão cedo. Ao contrário!

Como a minha casa já contava com muitos brinquedos variados, caixas de papelão e arranhadores, iniciei o projeto de verticalização dos ambientes. Comecei a instalação de um circuito feito com prateleiras na sala e melhorei o acesso à parte de cima do guarda roupas e às prateleiras mais altas que ficam no gabinete, onde era o recinto de Totí.

Fiz isso com o material que já tinha em casa e outras prateleiras de decoração que achei em promoção. Num mundo ideal, teria investido numa dessas linhas maravilhosas de móveis para gatos que vemos por aí hahaha! Mas o importante é que todas funcionam, é só colocá-las nas alturas corretas e estejam sempre bem fixas.

Adaptação Difícil - Enriquecimento Ambiental
Verticalização: para o alto e avante!

Mas ainda estava inquieta, pois, sozinha, realmente é meio difícil de aplicar os exercícios. Assistindo aos vídeos sobre apresentação de gatos, percebi que os comportamentalistas usavam algum tipo de barreira móvel ou temporária. Vi sendo usados aqueles portões de proteção para bebês e/ou cachorros e até um pedaço grande de papelão, com uma “janelinha” cortada na parte inferior.

Nesse sentido, poderia muito bem ter optado pelo portão para bebês. Ele pode ajudar muito durante a aplicação dos exercícios! Contudo, por ser baixo, seu uso com segurança implica que a pessoa esteja sempre presente e bem posicionada durante o decorrer dos exercícios de convivência. Pesquisei por alternativas de divisórias para porta, mas não encontrei nada que coubesse em meu orçamento ou que pudesse ser instalado por fora da parta do quarto. Por isso, resolvi tentar fazer a minha versão desse aparato! hihihi

Adaptação Difícil - Portão de papelão
Primeira versão da divisória para os exercícios, em papelão e tela plástica.

Logo nos primeiros dias da chegada de Totí eu testei um protótipo desse portão, utilizando papelão, tela plástica e fita adesiva. E é óbvio que não deu certo kkk! Os primeiros exercícios de contato visual entre os três foram feitos através dele, mas eu definitivamente precisaria aperfeiçoá-lo. E rápido!

Adaptação difícil - pulo Irá

Depois de fazer mais um pouco de pesquisa sobre materiais e pensar na melhor maneira de conseguir aliar custo, segurança e funcionalidade, cheguei ao modelo que foi uma verdadeira mão na roda para o meu processo. Em breve publicarei um post mostrando mais detalhes do portão, contando como os gatinhos lidavam com essa divisão territorial e como eu consegui conviver com minha casa divida por tanto tempo.

Mas, mesmo tendo conseguido ajeitar o portão e ter conseguido melhorar minha mobilidade e a segurança das gatinhas, infelizmente eu não conseguia evoluir nos exercícios. Ao contrário. A tensão entre Irá e Totí estava caminhando para um estágio praticamente insustentável para todos nós. E então eu já tinha revirado essa internet pelo avesso, mas nunca via relatos de casos como o meu. Nas páginas e grupos de discussão sobre gatos, as respostas eram sempre “é normal”, “é só ciúme, vai passar”, “usa floral”, “pinga baunilha”, “eles se ajeitam”, etc., etc., etc. Não, minha gente! Isso não é normal, não! E, infelizmente, a abordagem não é tão simples.

Adaptação Difícil - Portão Irá
Irá no auge da agressividade

Até esse momento, longos 45 dias de muito stress e correria em busca de soluções haviam se passado. Eu estava realmente perdida, arrasada, cansada, todo o meu conhecimento havia se esgotado. Assumi que não tinha mais como dar conta sozinha e gritei por socorro! Felizmente uma alma iluminada, muito experiente e caridosa apareceu em meu caminho e me ajudou.

Nunca vou esquecer o seu primeiro e mais importe conselho: ter calma! Nervosa como eu estava, só aumentava a tensão em casa, além de me impedir de enxergar com clareza tudo que estava acontecendo ali. Em nossas conversas sobre comportamento felino, aprendi a importância de observar todos os pequenos detalhes e agir antecipadamente, evitando o início de comportamentos indesejados. E aprendi também que, apesar de muito bem intencionada e comprometida com a causa, eu estava me precipitando em muitos passos do processo. Ou seja, precisava avançar no ritmo das gatas e não no meu! O plano de ação seria, praticamente, fazer um trabalho de sintonia fina entre elas.

Adaptação Difícil - Irá x Totí
Irá x Totí: os contatos visuais eram sempre muito tensos e não podiam mais continuar

Então, a partir dali, encerrei o totalmente o contato visual entre Totí e Irá e recomecei do zero o processo de adaptação entre as duas. Utilizei um pedaço de papelão para cobrir a tela do portão e voltei para os exercícios iniciais, com os estímulos olfativos, por meio da troca de odores e feromônios faciais impregnados em paninhos, objetos e brinquedos.

Adaptação Difícil - Portão Antes e Depois
Meu portão: um verdadeiro aliado nesse processo!

Ao mesmo tempo, passei a interromper Irá antes de ela entrar no que parecia um “transe”, de tão focada que ela ficava na porta do quarto de Totí, esperando a mínima chance para atacar. Era difícil de chamar a atenção dela naquele momento e algumas vezes que tentei retirá-la dali, ela reagiu me atacando. Na época eu decidi utilizar um borrifador de água. Hoje eu sei que não foi uma boa decisão, apesar de ser muito difundida na internet. Dei muita sorte de não ter piorado a nossa situação, se Irá sentisse medo ou perdesse a confiança e o interesse em mim.

Não se deve ralhar ou amedrontar os gatos. Mesmo que seja mais difícil inicialmente, não só para nós nos controlarmos, como para controlarmos a situação, mas é preferível intervir numa situação de tensão com atitudes positivas e amigáveis para eles. Se chegarem a brigar, interrompa fazendo algum tipo de barulho alto, como bater palmas fortes, ou derrubar algo no chão. Evite gritar!

Aqui eu sempre canto musiquinhas e uso tons de vozes diferentes para cada um deles, faço gracinhas e carinhos “personalizados”, para que saibam exatamente com quem estou interagindo, o que ajuda bastante. Então hoje eu faço assim, quando Irá avança em Totí. Ao invés de brigar com ela, eu canto a musiquinha, faço o carinho dela.

Adaptação Difícil - Totí
Totí isolada: longe da irmã, ela ficava muito bem

Olha, a diferença é incrível. Não só Irá não fica mais amedrontada, como também Totí não fica assustada com a situação e nem Jaguá se mobiliza para separar briga. Rapidamente se instala um sentimento de paz e bem estar entre todos, o que gradativamente, tem ajudado a diminuir a intensidade dos ataques e das reações. Portanto, bronca nunca mais!!!

E foi isso, gente. De volta ao começo. Respirei fundo e procurei realmente colocar a cabeça no lugar e tentar encarar tudo aquilo como um exercício de amor e responsabilidade pelos meus animais de estimação. Já tinha passado bastante tempo, já tinha caminhado tanto, mesmo sem sair do lugar… Não ia desistir. Totí nunca foi uma gatinha que peguei para fazer lar temporário, por exemplo. Ao contrário, eu fui até a ela como a adotante final. Portanto, para mim, nunca foi uma opção oferecê-la em adoção. Então, se eu tinha que me esforçar ainda mais para restabelecer a paz e a harmonia da minha casa e melhorar as nossas vidas, ia fazer isso com bom humor, disposição e alegria.

Continua no próximo post…

Irá x Totí: estratégias para uma adaptação longa e difícil (Parte II)

<3

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4 thoughts on “Irá x Totí: estratégias para uma adaptação longa e difícil (Parte I)”

  1. Pingback: Irá x Totí: estratégias para uma adaptação longa e difícil (Parte II) - Gatinhos Problema

  2. Ana Paula

    Amei o post. Que luta, heim? Estou ansiosa pra ler a 2° parte. Será que posso te fazer uma pergunta? Qual o tamanho da prateleira de decoração que vc usou pra verticalizar a casa? E a distância entre elas? Minha casa nao tem quintal e sinto que minha gata sente falta de ficar num lugar alto. Estava ontem mesmo pensando em colocar uma prateleira entre uma mesinha e uma estante mais alta. Alguma dica? Agradeceria mto.

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    1. gatinhosproblema

      Oi, Ana! Muito obrigada! As prateleiras de decoração que comprei tem cerca de 40 cm x 25 cm. Como elas são laminadas, são um um pouco escorregadias, então coloquei um pedaço de feltro em placa, para evitar acidentes, quando eles sobem correndo. A distância ideal entre as prateleiras é entre 35 e 45 cm, tanto vertical, quanto horizontalmente. Para que sua gatinha se interesse em utilizar as prateleiras, sempre tente fazer com que elas levem a algum lugar, como para perto da janela, onde ela possa ver a paisagem, ou para cima de armários ou outras partes altas. Se for numa parede vazia, sem janelas ou outras “atrações”, garanta que tenha 2 acessos, como se fosse um caminho com entrada e saída, tipo um circuito. Acompanhe nosso blog para mais novidades!

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