Problemas no Paraíso: quando a adaptação de gatos não acontece

Mesmo tendo seguido o todo passo a passo para adaptação de gatos e me preparado previamente para uma nova adoção, me deparei com uma situação complicada e inesperada, que parecia não ter solução!


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Com a chegada de Totí, minha gata Irá se transformou em uma gata muito agressiva e obcecada em atacar a irmãzinha.

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As técnicas de adaptação deram certo entre Jaguá e Totí e eles formaram um lindo laço de amizade e fraternidade. Porém Irá estava cada dia mais estressada, o que era muito triste de se ver.

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O tempo de adaptação entre Irá e Totí se estendia indefinidamente e eu estava começando a me incomodar com as “opiniões” dos outros…


De uma hora para outra, o clima ficou tenso em casa. Desde que Totí chegou em nossas vidas, minha Irá deixou de ser gatinha fofinha e virou uma gata super agressiva, pronta para dar o bote. E eu pensava que quem ia me dar trabalho era Jaguá!

Como já havia comentado, a chegada de Totí em meu bando foi muito planejada. A essa altura já tinha lido um monte de coisas e visto vários vídeos legais sobre adaptação entre gatos, então decidi que, dessa vez, ia fazer tudo como manda o figurino. Queria muito que tudo desse certo, desejava que Irá finalmente pudesse arrumar alguém pra dormir de conchinha (e eu realizar meu sonho de ter gatinhos assim rs).

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Assim que ela chegou, montei um circo em casa para o isolamento inicial, no gabinete, seguindo o passo a passo de apresentação aos gatos residentes, através de cheiros e reforços positivos. Pois fiz tudo isso imaginando o pobre do Jaguá, quando na verdade serviu para tentar conter os ânimos de Irá.

Totí ficou em quarentena como todo gatinho novo que chega num bando deve ficar, não só por questões de adaptação, mas também – e principalmente – por cuidados com a saúde de todos. Ela foi resgatada da rua e inicialmente introduzida em uma colônia, onde teria uma vida semi-domiciliada. Mas como era muito franzina e mansa, além de muito bebê, suas chances não eram muito favoráveis. Por tudo isso, não poderia introduzi-la aos meus gatos sem antes fazer exames e cumprir o protocolo de vacinação, vermifugação e desparasitação. Fora isso, ainda teria a castração e o pós-operatório.

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Mais uma vez, lancei mão do enriquecimento ambiental, criando para Totí um recinto mais divertido, interessante e confortável, além de infraestrutura de caixa de areia e fonte de água, que ela adora <3

Enquanto isso, ia aplicando o passo a passo de apresentação da nova moradora aos gatinhos da casa. Jaguá seguia cumprindo tudo como seu mestre mandou. Mas Irá…

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Minha “Princesinha de Algodão” virou o “Algodãozinho Assassino”. Era triste demais e muito assustador ver aquela transformação. Isso definitivamente não poderia ser normal. Eu li e reli os tutoriais, vi e revi os vídeos. Até achei textos bem interessantes e alguns vídeos bastante úteis. Mas na verdade eu estava tão perdida, triste, frustrada, aterrorizada e culpada que eu não enxergava mais um palmo à frente do nariz. Estava desesperada.

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Com mais ou menos 45 dias de confinamento e cerca de três meses e meio de idade, Totí já estava toda linda, forte e totalmente saudável. Também já estava completamente adaptada ao irmão, que fazia questão de ensiná-la a dar bote, a subir no armário e a desmontar a fonte de água e molhar o quarto todo. Além disso, aguçava a sua curiosidade pelo “mundo” depois da porta. Teoricamente seria o momento perfeito para castrar, fazer o pós-operatório e depois soltá-la pela casa para ser feliz.

Porém, no mundo do lado de lá, tínhamos uma gata enorme, muito forte e muito ágil, plantada 24h por dia na porta do quarto, farejando o ar incessantemente e com as pupilas dilatadas. Era realmente uma cena lastimável. Irá percebia Totí como uma verdadeira ameaça ao seu território e ela teria que ser eliminada a qualquer custo. Então, ao menor vacilo meu, Irá atacava a irmãzinha com toda a raiva que ela podia. Em 45 dias aconteceram três episódios, sendo o último mais grave, onde Totí realmente foi ferida por Irá.

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Eu precisava de ajuda. Sozinha não dava mais conta. Ainda não conhecia gateiros com esse tipo de experiência ou conhecimentos e estava completamente desnorteada, cheia de culpa, dúvidas e um medo terrível de ter que me desfazer de minha Totí. E era justamente essa “opinião” que as pessoas vinham me dar, mesmo (ou principalmente) que não fosse solicitada.

Coisas do tipo: “nossa, ainda não se adaptaram?”, “por que não doa uma das duas?” ou “se fosse eu, deixava elas se acertarem”. A-ham, muito obrigada. Para uma pessoa que está triste e angustiada por causa de um conflito sério entre seus entes queridos, essa é uma ótima ajuda, só que ao contrário.

Meu mundo tinha caído. Eu já havia tentado tudo que estava ao meu alcance. Estava tão frustrada que estava até me importando com a opinião dos outros, imaginem só. A única coisa que eu sabia é que alguma atitude precisaria ser tomada. Eu precisaria realmente buscar ajuda urgente… 🙁

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22 thoughts on “Problemas no Paraíso: quando a adaptação de gatos não acontece”

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  5. Marina

    Que bom ler um textk sobre adptação de felinos que realmente condiz com a realidade. Eu tenho uma gata de 9 anos e adotei em janeiro uma de 7,esperando que elas fossem se dar bem. Elas se respeitam,cada uma fica no seu cantinho ,elas não brigam,mas queria que fossem amiguinhas 🙁
    Depois resgatei um gatinho de 5 meses que tá sempre com uma das duas,querendo brincar ou só observar o que elas fazem,eu tenho esperança que com ele elas sejam mais amigas.
    Ps. Todos os meus gatos são castrados.

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    1. gatinhosproblema

      Oi, Marina! Muito obrigada! Na época em que eu comecei a lidar com esse problema, me sentia muito só. Não sabia que outras pessoas viviam isso, pois ninguém falava sobre o assunto… Era muito difícil conseguir encontrar um caminho a seguir, já que o problema era sempre tratado como uma coisa “fácil”, que sempre daria certo. Por isso eu quis dividir com vocês a minha experiência e os conhecimentos que acumulei sobre o assunto, pois sei que muitos tutores apaixonados querem o bem estar dos seus gatinhos e precisam de informações que vão além das “dicas”. Fico muito feliz em poder ajudar!

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  6. Pingback: Conheçam o gatinho Dudu, meu novo filhote! - Gatinhos Problema

  7. Marilene

    Gostaria de saber como vc fez com essa situação. Tenho uma gata de 7 anos e adotei outra de 2 meses. Já fiz tudo o que mandam para a adaptação. Parecia tudo bem, dormiam no msm ambiente, comiam perto, até que há dois dias, a gata mais velha começou a atacar a pequena pra morder. Não sei o que faço. Estou desesperada.

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  8. Mariana

    Oi! Estou desesperada! Tenha uma gatinha, a Felinas, uma senhora de aproximadamente 13 anos, muito amorosa com humanos e bem hostil com outros de sua espécie. Tenho outro gato,.o Bolota (6 anos) que já era o dono do.pedaco quando Felinda veio. Eles não se adaptaram porque ela, apesar de ser a novata, o agredia e ele estressou a ponto de adoecer… Precisei separa-los e viver com a casa dividida. Recentemente resgatei um filhote com rinotraqueíte, o Bartô, e após isola-lo para tratamento e vacinas comecei a apresentá-lo a Felinda. Esse processo durou 45 dias e ao finalmente, coloca-los efetivamente juntos ela não o agride, mas deixou de se alimentar e beber água adequadamente e está muito triste… parece não confiar mais em mim. É tão difícil essa situação! Não sei mais o que fazer e, sinceramente, não tenho muitas esperanças… Não queria estressa-la nessa fase da vida, mas também não acho justo me desfazer do Bartô – que também tem dificuldades para andar – para resolver o problema…

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    1. gatinhosproblema

      Olá, Mariana.

      Realmente, essa é uma situação complicada, pois envolve a saúde e o comporamento de uma gatinha idosa e as necessidades especiais de um filhote. Podemos conversar mais detalhadamente pelo e-mail contato@gatinhosproblema.com.br

      Um abraço!

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  9. Luciana

    Boa noite, muito bom achar essa página. Preciso de ajuda!!!
    Adotei faz 1 mês um gatinho filhote (Ziggy) e tenho outro adulto(Vincent). Fiz tudo que li no post sobre adaptação, mais o fato é que o nosso gato residente, não aceita a situação, só entra em casa para comer e isso com muuuuito mimo. Dorme pelo jardim ou garagem. Me parte o coração pois ele sempre dormiu dentro e acho q ele esta extenuado dormindo em qqr canto.
    Ja vi ambos interagindo, até “brincando” mais o nosso peludinho mais velho não quer saber de voltar para casa definitivamente.
    O que faço???

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    1. gatinhosproblema

      Oi, Luciana! Tudo bem?

      Olha, realmente essa é uma situação triste e complicada, porém, comum. Gatos não são animais gregários, ou seja, naturalmente vivem sozinhos.
      Para aceitar um gatinho novo, ele tem que passar por um processo de socialização. Alguns por mais tempo, com mais dedicação nossa, do que outros.
      Como a sua situação faz 1 mês, acredito que vc possa ter se precipitado em adiantar os passos do ritual. Mas é muito importante respeitar o tempo e o ritmo imposto pelos gatinhos. Sugiro que vc isole o filhotinho no quarto e recomece o processo de adaptação, seguindo os passos e as orientações desse post aqui:

      https://gatinhosproblema.com.br/2017/02/14/introducao-reintroducao-e-adaptacao-de-gatos-passo-a-passo/

      Vá com bastante calma e paciência, observe os seus gatinhos e de tempo a eles para que eles se sintam confortáveis na presença um do outro.
      Também sugiro que, ao menos no início desse novo processo de adaptação, com o filhotinho separado, vc evite que o mais velho tenha acesso a parte de fora da casa, para que ele volte a se acostumar a ficar dentro. Com o filhote isolado, ele terá mais confiança para voltar.

      Boa sorte! Qualquer coisa, pode perguntar.

      Um abraço,

      Marla

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  10. Kellen

    Ah que bom achar esse site!
    Eu já desanimei..
    Eu tenho 2 gatinhas, minha frajola simplesmente ignorou a casa .. não dorme mais comigo , não anda mais pela casa desde que acolhi da rua uma mamae e sua filhinha.. já estou pensando em doa las , pois estou sentindo muita falta da minha gatinha

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  11. Gabriela Leal

    passo por um problema parecido…ja tinha 4 gatos, 2 machos e 2 femeas…dai resgatei 2 gatinhas. fizemos td como deveria, principalmente pq elas estavam doentes e tal…..os machos se adaptaram facilmente…as femeas tem sido dificil…uma delas ateeeee q ta começando a aceitar…mas a outra….ela sempre foi mais medrosa, mto na dela, nao gosta mto de carinho…e adora ficar de baixo do sofa….mas agora ela VIVE em baixo dele…quando sai tenta atacar as gatinhas….tem sido mto dificil…e no seu texto, nao consegui ler oq aconteceu…se vc conseguiu ou nao a adaptaçao…to bm preocupada

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    1. gatinhosproblema

      Olá, Gabriela
      Parabéns pelo resgate! Olha, se a sua gatinha ainda está assim tão medrosa e agressiva é possível que ainda seja necessário continuar com o processo de adaptação. Vou deixar aqui o link do post onde descrevo o passo a passo que vc pode fazer em sua casa. Siga a risca, sem pressa, observe com cuidado as reações de sua gatinha.
      Tenha muita calma e paciência para aplicar esse passo a passo, ok? Vai dar tudo certo. Qualquer dúvida extra, pode entrar em contato pelo nosso e-mail (no topo da página).
      https://gatinhosproblema.com.br/2017/02/14/introducao-reintroducao-e-adaptacao-de-gatos-passo-a-passo/
      Um abraço!

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  12. Andréia Gonçalves da Fonseca

    Oi! Vivendo o mesmo drama. Meu Kiwi era dócil, dormia agarrado comigo. Ao trazer Ushí e Torá para casa, meu Kiwi parece um gato assassino de filme de terror. Estou há 2 meses vivendo isso. Rezo e espero pelo milagre.
    Andréia Gonçalves da Fonseca

    Reply
  13. Renata

    Bom dia, tenho uma gata mais velha a Ariel com 2 anos, e adotamos uma de 2 meses.
    Já faz 1 mês mas a Ariel não deixa a gatinha chegar perto, fica muito brava só de ver a pequena Abigail…To preocupada, pq ela n aceita….e não vou me desfazer de nenhuma delas..Ariel vem toda noite dormir comigo, mas é ouvir a outra gatinha q fica no quarto da minha filha ela ja resmunga e sai. Oque faço?

    Reply
    1. Laviny Guimarães

      Bom dia!!

      Tenho uma gata de quase quatro anos, que está comigo desde quando tinha quatro meses. Ela não era a gata mais carinhosa do mundo, gostava de ficar na dela, mas sempre dormia comigo, e se via que eu ou minha mãe estávamos tristes, ela se aproximava pedindo carinho e ficando por perto. Ela brincava muito antes, mas começou a parar, e como eu e minha mãe temos coisas para resolver fora de casa (escola, trabalho) começamos a perceber como ela parecia triste quando a gente se arrumava para sair. Sendo assim, nós resolvemos adotar uma amiga para ela, algo para ficar o tempo todo com ela, fazer companhia. Pegamos uma gatinha de quatro meses, separamos as duas, mas na hora de dormir a gatinha não ficava quieta, miava sem parar, assim minha mãe a pegou e levou ela para dormir com ela. Estava até que tudo indo bem, já sabíamos que ia ter uma certa negação por parte da nossa gata mais velha, mas estávamos dispostas a enfrentar tudo isso.
      Passaram quatro dias e algo que não esperávamos aconteceu: aparentemente, minha gata mais velha tem medo da mais nova (mesmo que a mais nova nunca tenha agido de forma agressiva com ela). Temos uma lavanderia que tem acesso pela janela, logo, deixamos essa janela aberta porque a Murphy (gata mais velha) sempre ia lá tomar sol, a gata mais nova (Darwin) não sabe sair pela janela então não temos problema com isso. O problema é que hoje de manhã a Murphy ao ver a Darwin bufou para ela e saiu pela janela, vendo isso eu peguei o pote dela e coloquei uma comida mole (que ela gosta muito), Murphy começou a comer, parecia tudo bem, então, como eu queria que ela visse a comida (algo bom) junto com a filhote, eu abri a caixa de transporte na qual a gatinha estava (foi colocada lá para incentivar a Murphy a entrar na casa), Darwin super animada foi logo para perto da irmã mais velha que se assustou, bufou e saiu novamente para a lavanderia. Comecei a chamar pela Murphy, que foi até a porta. Na porta eu lhe entreguei o seu pote novamente, mas dessa vez eu coloquei um com a comida mole da filhote também, assim cada uma comeu no seu. Elas estavam relativamente perto uma da outra, elas conseguiam se ver e se ouvir, parecia tudo bem. Mas quando a comida acabou e Darwin quis brincar, Murphy logo recuou.
      Preferi dar um tempo para a Murphy, não forçar nada, então a deixei lá, já que mesmo comigo chamando ela não entrava. Passado certo tempo, Murphy miou na porta (mesmo com a janela aberta para ela poder entrar a qualquer momento), eu fui até lá e abri. Darwin estava na sala então Murphy não a viu de primeira. Murphy começou a cheirar tudo, mas ao se deparar com a gatinha, ela se afastou, subiu na janela e bufou.
      Já não sei o que eu posso fazer, tudo o que eu podia eu tentei fazer, minha mãe até comprou um Feliway Classic para acalmar os ânimos, mas nada tira esse medo dela.
      Não sei se ainda vê os comentários desse blog, mas se vê, gostaria muito de uma dica de algo que eu poderia fazer, a casa não é muito grande, separar a casa novamente seria horrível para mim e minha mãe, sem citar o fato de que a filhote detesta ficar sozinha e começa a miar. Desde já muito obrigada!!

      Ass: Laviny G.

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      1. gatinhosproblema

        Olá, Laviny!

        Parabéns pela adoção! Pelo que me contou, me parece um processo normal de adaptação. Essas reações delas significam uma “conversa” para estabelecer os limites de aproximação que cada uma aceita da outra. Digamos que seja um processo de regulação de espaços.
        Uma coisa que vai te ajudar muito nesse momento é estabelecer uma rotina diária, com horários marcados para comer e brincar. Faça os exercícios de alimentação e troca de odores que indico nesse post:
        https://gatinhosproblema.com.br/2017/02/14/introducao-reintroducao-e-adaptacao-de-gatos-passo-a-passo/
        O ideal seria deixá-las separadas. Mas, se não for possível, garanta que elas tenham várias opções de tocas e esconderijos espalhados pela casa, assim elas podem se afastar da presença da outra a qualquer momento, sem necessariamente fugir. Outra coisa legal é ter espaços em lugares altos que elas possam subir, pois funciona de esconderijo e local para observar e controlar o ambiente, o que é muito importante. Tenha calma e paciência, que tudo vai dar certo! Rotina e esconderijos serão suas melhores ferramentas nesse processo.
        Qualquer dúvida, chame aqui ou no nosso e-mail de contato.

        Um abraço!

        Marla

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