Meu Gatinho Dudu: 1 ano de liberdade!

Dudu relaxado sobre o arranhador de papelão

A 1 ano atrás um gato preto cruzou o meu caminho e encheu a minha vida de amor e alegrias (e um grande susto também rs). Resgatei meu Duduzinho de uma prisão e trouxe ele para viver em nosso pequeno paraíso felino.

Dudu viveu por 2 anos em uma gaiola de hamster na casa de uma acumuladora de animais. Eram 70 cachorros e 05 gatos vivendo num ambiente estressante, insalubre e enlouquecedor.

Contei aqui a história do resgate do meu Pretuquinho.

Dudu escondido sob o sofá

Por conta do seu longo confinamento em um espaço minúsculo, Dudu não teve a oportunidade de se desenvolver como um gatinho normal. Seus ossinhos cresceram tortos, sua postura desconstruída, seus músculos sem absolutamente nenhum tônus.

Desenvolveu também uma doença neurológica rara em gatinhos, por conta da situação fora do comum à qual seu corpinho foi submetido desde que era um bebê.

Adaptação à nova vida: amor, conforto e liberdade

Trouxe Dudu pra casa logo antes do carnaval do ano passado, em fevereiro de 2018.  Dudu passou cerca de 1 mês vivendo isolado em meu quarto, debaixo da minha cama.

Coloquei uma caixinha forrada com uma toalhinha bem macia, pratinhos de água e comida, brinquedinhos e caixinha de areia disponíveis para ele.

Dudu e seus brinquedinhos

Nesse período Dudu dormiu muito. Acho que pela primeira vez na vida ele pode realmente descansar. Dormia enroladinho na caixinha, ou todo esticado no chão… Meu coração se enchia de paz ao vê-lo num sono tão gostoso e profundo. 

Todo os dias eu ia ensaiando uma aproximação. Deitava no tapete ao lado e estendia o braço para baixo da cama, enquanto Dudu me observava de longe e atento.

Conversava com ele, piscava os olhos. Aos pouquinhos ele passou a responder, piscando os olhinhos de volta. Depois se aproximando da minha mão e, mais tarde, me deixando tocar em seu rostinho. 

Piscando os olhinhos pra mamãe <3

A adaptação com Jaguá, Irá e Totí foi bem facilitada pelo fato de Dudu ter precisado ficar tantos dias sob a cama. Comecei a me sentir mais a vontade em deixar a porta do quarto aberta, pois os três tinham apenas curiosidade e não demonstravam stress. E Dudu a mesma coisa.

Até que chegou o dia em que Dudu se sentiu confortável para sair de baixo da cama e ir explorar a casa. Estava evoluindo de vento em popa! Tanto física quanto emocionalmente, meu filhuco era só alegria e descobertas.

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Ninguém viu rs Dudu ❤️

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Lembranças da velha vida: consequências do confinamento

Quando trouxe ele pra casa, Dudu era um gatinho extremamente traumatizado, bravo demais e avançava para morder (mesmo que todo desengonçado). Sempre apresentava um medo extremo das pessoas, chegando a convulsionar e urinar, de tanto pavor que sentia quando era tocado. 

Cerca de 2 meses depois do seu resgate, Dudu já estava no maior dengo comigo e bem adaptado ao grupo. Jaguá mais uma vez assumiu a “educação felina” do irmão caçula (ele fez assim com Totí <3).

Dudu e Jaguá deitados no tapete

Nesse tempo em que ele só confiava em mim, aproveitei para conhecer os detalhes do seu corpinho, já me preparando para fornecer o máximo de informações à nossa veterinária.

Dudu tem várias características diferentes de um gatinho “normal”, além da questão postural e muscular. Uma delas é que ele é mudinho <3 Dudu é bem “falante”, mas não emite um miado normal e sim um tipo de “suspirinho” que faz um som de “q-tsssshhhh”, que eu “traduzo” como “ca-tchummm” hihihi <3

Além disso, ele tem um tremelique constante em seus membros e a cauda totalmente flácida, porém mantém as funções de xixi e cocô intactas. Seu rabinho mexe bem sutilmente da metade até a ponta e tem sensibilidade desde a base, apesar da flacidez.

Dudu relaxado no sofá

Mesmo diante disso tudo, Dudu sempre manteve um bom humor incrível e um apetite maravilhoso, o que me deixou tranquila para esperar ele ganhar mais confiança em outros humanos. Com a sua personalidade fofinha e boa praça, esse processo foi bem mais fácil do que eu esperava!

E foi então que Dudu passou a apresentar alguns sintomas diferentes dos que eu já havia notado. Em 2 dias ele foi ficando cada vez mais encolhidinho, com as quatro perninhas fracas, até perder os movimentos. Ele tentava se mexer, mas não conseguia. Corremos para a veterinária.

Dudu e Irá deitados na cama

Polirradiculoneurite aguda: a doença neurológica de Dudu

Chegando lá, a Dra. Dani realizou os exames de rotina. A dentição de Dudu indicava que ele teria mais de 2 anos de vida. O raio-x mostrou uma coluna cheia de desvios e ossos mal formados, condizentes com um longo confinamento. Não era de se admirar que Dudu estivesse sofrendo as piores consequências, diante de tanto tempo de privação de movimentos!

Dudu durante a consulta no veterinário

Por outro lado, todos os exames de sangue de Dudu tiveram bons resultados: negativo para FIV e FELV, todos os níveis dentro dos parâmetros saudáveis, tudo bem certinho. Pulmões limpos, coraçãozinho em ordem, trato urinário também. Seu apetite jamais diminuiu, mesmo precisando de ajuda para comer rsrsrs. Tudo isso me deixava um tiquinho menos nervosa.

Na consulta com o Dr. Matheus, Neurologista Veterinário, foi constatado que, apesar da coluna de Dudu ser muito torta, estava descartada uma lesão medular. Os sintomas indicavam que seu problema estava no Sistema Nervoso Periférico.

Dudu foi acometido por uma condição neurológica chamada polirradiculoneurite aguda. É uma doença muito rara em felinos, que afeta as raízes nervosas ventrais (responsáveis pelos movimentos) dos nervos espinhais.

Dudu deitado de barriga para cima

Dudu apresentava tetraparesia (perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e/ou superiores), fraqueza muscular generalizada, dificuldade em engolir, espasmos musculares, tremor, voz alterada. 
De repente, ele estava de volta à uma prisão: não mais uma jaula de hamster, mas uma doença paralisante.

Apesar da afonia ser um sintoma clássico da polirradiculoneurite, durante os exames descobriu-se que a mudez dele é por conta de uma má formação das cordas vocais. Então o meu Duduzinho ainda iria continuar a fazer seu sonzinho de “ca-tchumm” <3

Dudu bocejando de boca bem aberta

Foram 2 meses de muita preocupação, com Dudu melhorando e tendo recaídas frequentes. Cheguei a me preparar para o pior. Ficava grudada a ele dia e noite. Dava comida e água na boca e na posição vertical para não engasgar. Levava à caixinha de areia 3x por dia. Levava à clínica para tomar injeção de 2 em 2 dias.

Dudu fazendo exames cardiológicos

Talvez ele estivesse pronto para desistir de viver, após 2 anos enjaulado. Seu corpinho e, principalmente, sua mente precisaram ser muito fortes para aguentar tanto medo, tanto desconforto, fome, sede, sujeira…

Mas acho que quando Dudu se viu tendo uma vidinha tão gostosa, cheia de paz, fartura, conforto, silêncio e limpeza, que ele se agarrou a isso com toda a sua forcinha. E eu me agarrei a ele.

Dudu e eu na clínica veterinária

Passinhos

Levamos o tratamento à risca. Todas as consultas, todos os exames e tratamentos que foram necessários, foram feitos. E então finalmente começamos a ter uma reação positiva! O próximo passo então seria começar a fortalecer a musculatura e melhorar a postura de Dudu.

Dudu durante a fisioterapia

Iniciamos o primeiro ciclo de Fisioterapia com a Dra. Raquel e sua equipe. O que ele mais gostou foram as massagens e mobilizações na coluna e membros. O resultado foi incrível! Em breve nós vamos retornar à Fisioterapia para mais um ciclo de conquistas.

Dudu, meu guerreirinho, se comportou direitinho o tempo todo, virou o xodó da clínica rs. Mas ainda bem que faz tempo que a gente não volta lá hahaha! Dudu está ótimo e muito saudável. 

Chuva de carinho

Dudu dormindo ao lado de Totí

Mesmo com tanta coisa difícil e triste acontecendo, outras muito boas também ocorreram e me tocaram profundamente. Primeiro foi poder ter Dudu atendido por uma equipe tão competente, atenciosa, carinhosa, atualizada e maravilhosa, como a Dra. Dani, Dr. Matheus e Dra. Raquel. Vê-los trabalhar no caso de Dudu me inspirou muita confiança e admiração. Gratidão eterna!

Outra coisa maravilhosa foi a quantidade de amor e energias positivas que vocês, leitores do Gatinhos Problema, nos enviaram pelas nossas redes sociais. Foi simplesmente incrível sentir esse apoio vindo de todos os lugares do Brasil e até de fora. Dudu se tornou um xodozinho de vocês também, que delícia! Isso é muito importante para nós. Muito obrigada <3 <3 <3 <3

Dudu e eu felizes no chão da cozinha

Agora, 1 ano depois disso tudo, eu não consigo nem me lembrar como eram as nossas vidas sem Dudu! Ele se fez tão presente em nosso dia a dia com seu miadinho mudo e andar desajeitado! Se integrou a Jaguá, Irá e Totí com muita facilidade e conquistou um espaço gigantesco em nossos corações!

Te amo demais meu filhuco, Pretuco, meu “ca-tchummm”, nosso Duduzinho! Que venham mais e mais anos de amor e felicidade ao seu ladinho!

<3

Marla

Dedico esse post a Dra. Daniela Fernandes, Dr. Matheus Alves e Dra. Raquel Graça, com muitos agradecimentos pelos cuidados com meu amado Dudu.

*Texto e fotografias: Marla

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